quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sem tradução...


Em algumas palavras me encontro
Em vidas que andam em comunhão
Que devolvem o passo ao meu caminhar
Na frequência do olhar que empresta a calma 
Que escapa na pressa do tempo
No alcance dos meus silêncios 
Que não precisam de tradução
Na luz que existe mesmo em dias nublados
Do cuidado que faz morada nas estradas da alma.

Por Carol Righetto

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Desacontecer...


Veio e não deixou aviso
Dissolveu todos os sentidos
Foi cúmplice de toda dor
Coube na imensidão de um céu monocromático.
Em um tempo que não se determina
Fecho os olhos enquanto espero amanhecer...

Seu poder de recomeço me faz desacontecer.

Por Carol Righetto

sábado, 15 de setembro de 2012

Além...


Vive de guardar detalhes
Coloca a alma na janela 
Para adormecer a realidade
Anda onde os pés não alcançam
Sua memória ama com o coração
Caminha sobre o céu pontilhado de estrelas
Carrega as lembranças que deixaram
E traz no olhar o brilho da luz que a guia.

Por Carol Righetto

domingo, 2 de setembro de 2012

Sou...


Sou...

Verbo a procura da palavra
O não dizer que segreda os silêncios

Sou procura...

Pela luz que ilumine minhas sombras
Pela calma que diminua minhas pressas
Pela cura que cicatrize minha dor
Pelo olhar que encontre (novamente) minha alma
Pela chuva que lave minhas tristezas

Sou espera...

Pelo tempo que ainda insiste
Pelas entrelinhas que pontuam meus dias
Pela primavera que irá despertar
Pelo que torne a vida algum infinito

Sou o que reverbera!

Por Carol Righetto

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Devolução...


Adormecia suas ausências
Esquecia algumas tristezas
Bordava algumas alegrias no canto do sorriso
Criava morada em sua memória
O que tinha nas mãos era um registro carregado de saudade
Que nunca finda, que nunca para de acontecer.
Cada canto tinha um vazio que não se preenchia
Cada inteiro compunha as partes que não partem
Sem começo, meio ou fim
Era somente uma forma de encontro
quando se esquecia em algum lugar.

Por Carol Righetto

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Inesperado...


Com medo dos desencontros espiava pela fresta
Com as mãos trêmulas misturada na pressa das horas segurava sua coragem.
Aproximou-se da luz e ali encontrou a imensidão escondida em pequenas medidas
Conseguiu guardar nos olhos uma estrela que a guiava
Surpreendeu-se com o inesperado brilho que a tornou inteira.
Parou, e naquele canto de mundo permaneceu,
contemplando as miudezas que se escondem e se revelam 
no mistério de um mesmo céu.

Por Carol Righetto

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Entre o vazio dos dias e o eterno em mim...


Não esperava muita coisa,
tinha consciência dos fragmentos do tempo,
mesmo assim seguia.
Dobrava as esquinas do inesperado
trazia em sua bagagem 
apenas as singularidades que lhe habitavam.
Não gostava de multidão,
tinha olhar de predileção,
precisava de leveza para continuar a voar.
Vez em quando voltava,
esse era seu jeito de carregar saudades
para desembarcar na próxima estação.

Por Carol Righetto